escrita: O país dos bem-te-vis

Uma conversa sobre a história da cultura da inveja entre nós: a Santa Inquisição, a escravidão, a emotividade, o ódio pelos outros mesmo semelhantes. As características da inveja: congelar o tempo no presente, impedir o aprendizado com o passado, a maledicência que destrói todo diferente, a violência, o medo e o conformismo, com exemplos atuais. As soluções possíveis, a necessidade de reparações e espiritualidade . A resposta: mudar o comportamento de inveja para admiração, também com exemplos.

http://www.midrash.org.br/2019_11/2019_11_21_inveja.html

 

Apresentando o livro  O país dos bem-te-vis, ensaio sobre a inveja na cultura brasileira:

Alex Campos, colunista da JBFM divulgando o livro no rádio e no seu blog, sensacional!

No Brasil, o passado é sempre esquecido, e o futuro nunca chega. Uma escolha da inveja…

“No Brasil, o passado é sempre esquecido, e o futuro nunca chega. Daí que gerações e gerações começam e recomeçam do zero. Não receber o conhecimento das gerações anteriores é uma escolha da inveja. ”

Esse é um belo trecho do livro “O País dos bem-te-vis“, da escritora Noemi Gomes do Rêgo Coelho, lançado ontem no Rio.

Trata-se de um ensaio sobre a inveja no conjunto dos hábitos e costumes dos brasileiros. Ou seja, trata-se de nossas raízes, tradições e histórias nacionais.

O livro aponta o extenso alcance da inveja no Brasil contemporâneo, cabendo como uma luva no atual momento político em que vivemos. Ele traz definições nuas e cruas sobre a inveja e suas características, como o ódio, a ma-fé, a maledicência e a intolerância sempre disposta a destruir o que é diferente.

“O País dos bem-te-vis” propõe reflexões e provocações interessantes que relacionam a inveja ao medo, ao conformismo, à inversão de valores e à negação das nossas próprias responsabilidades.

Por falar em “nossas responsabilidades”, taí uma dica pra todo mundo que lamenta a situação de penúria das livrarias Saraiva, Cultura e outras tantas. Sim porque, se todo mundo que eu vejo lamentar o fechamento de uma livraria tivesse comprado um livro, nem a Saraiva e nem a Cultura estariam em dificuldades.

Daí que “O País dos bem-te-vis”, da Letra Capital Editora, oferece uma chance pra quem quiser se redimir.

Ele foi escrito pela Noemi Coelho… Mas bem que poderia ter sido escrito por mim. Sem nenhuma inveja, claro!

 

Para ler um pouco:

Abaixo, o livro entre os aprovados para concorrer ao prêmio de ensaio social Sérgio Buarque de Holanda da Biblioteca Nacional em 2019. Uma grande conquista e grande honra.

À venda em:

Livraria da Travessa,    Livraria Galileu,     Livraria Blooks,     Livraria Copabooks, e  outras…

amazon.com.br  para o livro físico e   https://www.amazon.com.br/dp/B07XHXBTJQ  para o e-book

editora letracapital.com.br    https://www.letracapital.com.br/produto/o-pais-dos-bem-te-vis-ensaio-sobre-a-inveja-na-cultura-brasileira/

Google Play em PDF

 

Release do livro
O País dos Bem-te-vis é  um ensaio sobre a inveja no conjunto dos hábitos sociais brasileiros. Dividido em 4 partes, a primeira trata das raízes, a formação histórica, a gênese das tradições e valores nacionais. A segunda parte aborda, de uma forma profunda, o que é a inveja, e a afirma como característica humana universal. A terceira parte aponta a extensa ação da inveja na cultura do Brasil contemporâneo. A última parte  descreve as soluções e saídas que o país encontra.

Prefácio de Sofia Débora Levy

O livro inicia fazendo uma interessante análise da história do comportamento invejoso entre nós, desde  a insensibilidade do extermínio dos índios, a escravidão e o sadismo da família patriarcal escravocrata,  ressaltando a contribuição definitiva da Santa Inquisição e da excessiva religiosidade portuguesa na desvalorização da morte trágica.

A incrível, inacreditável realidade da escravidão:  https://www.slavevoyages.org/

A inveja inicial, inveja do seio:  melanie-klein-inveja-e-gratidao-e-outros-trabalhos

Traz luz a essa questão pouco observada na formação do país,  a atuação intensa e forte da Santa Inquisição em Portugal e no Brasil, a perseguição, as mortes, as denúncias por interesse, a inversão de valores espirituais, as propinas e privilégios, a corrupção, atitudes e situações impressas permanentemente na alma nacional desde então. Esclarece a emotividade, capaz de inveja e ódio, como qualidade brasileira, e a identificação projetiva, um traço que permite ver com facilidade o que o outro quer para então utilizar no próprio interesse. O término  é feito com a pesquisa IBOPE  sobre os números da inveja na nossa sociedade.

 Dra. Anita Novinsky, Doutora Emérita da USP em Inquisição no Brasil

A segunda parte estuda a origem e identidade do sentimento: a inveja do seio na formação de todo ser humano, o Édipo na família, as onipresentes invejas do pênis e do útero,  inveja nos mitos e nas religiões. Verifica que o ser humano pode escolher o pior mesmo sabendo o que é o melhor para si, um agir nosso amplo e geral, sem qualquer polimento.

Expõe como a inveja paralisa o tempo: no mundo do invejoso  só o presente tem importância.   Individualmente e  para a nossa sociedade o futuro não existe, nem o passado, vive-se num eterno presente repetindo  incessantemente dos mesmos erros.

Idolatria

A terceira parte  especifica a  inveja na manifestação cultural brasileira nos dias de hoje: a maledicência, mentira, a negação da responsabilidade tão comum nas nossas ações, individuais, sociais e institucionais, esclarecendo com exemplos o conformismo e o medo, o terror que permeia tudo em toda parte. Analisa a autoinveja, a inveja de si mesmo, individual e  do conjunto da sociedade,  seus inúmeros componentes entre si e com o Estado. A pressão invejosa marca toda criatividade para destruí-la. A agressão para excluir a diferença que produz alteração no nivelamento cotidiano, aliada à falta de consciência e racionalidade, permite a banalização  da violência em todos os níveis. A repressão, unida à falta de valor, conduz a homens limitados e grosseiros.

Recusar a bondade  impede o aprendizado com a experiência, a transmissão do saber para as gerações seguintes, razão pela qual cada geração aqui começa do zero: a incrível negligência brasileira com a educação e o raciocínio, desde a época colonial.

Na última parte, o mais esperado, as soluções. A necessidade humana de curar-se e como fazer reparações é libertador pra todos os envolvidos, incluindo os já mortos. A gratidão, força natural, universal e contrária à inveja, para a qual o Brasil é pleno de razões. A reverência ao sagrado,  o perdão, a espiritualidade que é força motriz de comportamentos, uma das maiores carências nacionais a ser preenchida com urgência.  Nossa espiritualidade deriva da Santa Inquisição, então modificá-la transforma toda a nossa cultura. Apresenta a admiração, que é a capacidade de semelhança, de participação nas virtudes do admirado como a cura, a resposta. Reverência e admiração implicam em compreensão do que é melhor e a participação consciente nesse melhor reconhecido e admirado. Termina ressaltando a capacidade brasileira para a alegria, para a festa coletiva onde não há inveja mas união do e no conjunto, onde o povo alcança uma perfeição, uma saúde única.

Roda de conversa sobre a inveja na cultura brasileira 15/06/19 em Santa Tereza/RJ

***INVEJA – O Pecado Brasileiro

Mal Secreto, livro do escritor Zuenir Ventura sobre a inveja, relata a pesquisa do IBOPE- Instituto Brasileiro de Pesquisa, da opinião pública brasileira sobre a inveja. Zuenir conta de forma brilhante e encantadora esse processo, como o das entrevistas da sua pesquisa pessoal, oferece relatos de histórias humanas incríveis, viu e participou de fatos peculiares interessantíssimos – jornalista que é. Feita de 17 a 22 setembro de 1997, exclusiva para o autor, desnuda a realidade da inveja no Brasil – o pecado brasileiro, como pode-se comprovar:

“Pesquisa de opinião pública sobre os 7 pecados capitais’
Total – 2000 entrevistas
Universo pesquisado: população do Norte, Nordeste, Centro Oeste, Sudeste e Sul, capitais e interior,
Municípios de até 20 mil habitantes, de 20 a 100 mil, e de mais de 100 mil habitantes.
Grupos de idades de 16 a 24 anos, de 25 a 34anos, de 35 a 44 anos, de 45 a 54 anos e 55 ou mais.
Classificação econômica: Classe A1 e A2, Classe B1 e B2, classe C e classe D/E

Para perguntas espontâneas, “quais são os 7 pecados capitais”, mais de 80% não conheciam ou não souberam nenhum.(!)
Quando os pesquisadores mostraram as cartelas com os 7 pecados capitais e perguntaram “quais deles conhece ou lembra?”
73% reconheceram inveja. A preguiça 59%, a ira 48%, a gula 45%, a luxúria 39%, a soberba 37% e a avareza 30%.
Com que freqüência praticavam , se é que praticavam, cada pecado, com as opções: freqüentemente/de vez em quando/raramente/nunca
83% nunca cometeram pecado da inveja,;1% freqüentemente;7% de vez em quando;7%raramente
Os aspectos que causam inveja:
34% sucesso (pessoal ou profissional); 25% bens materiais (casa, carro); 24% valores morais (honestidade, coragem, integridade); 22% atributos físicos (beleza, simpatia);19% status sócio econômico (classe, situação financeira); 14% fama; 13% poder.
Percebiam ou não que alguém sentia inveja dele/dela: 65% sim e 35% não
Entre pessoas com grau de instrução superior, a percepção chegava a 75%
58% dos que recebem até 2 salários mínimos percebem e 60% membros da classe D/E percebem
O que você faz contra mau olhado: 54% nada; 38% rezar, fazer orações.
A inveja é o pecado mais conhecido em todos os níveis e classes sociais, em todos os níveis de instrução, em todas as idades, todos os lugares e por ambos os sexos. Está expressa na pesquisa exclusiva mais abrangente e completa já realizada. É O PECADO BRASILEIRO[Ventura, Z, Mal Secreto, 1998] .

Zuenir Ventura, que generosamente cedeu o material da sua pesquisa, aqui ao lado do Rabino Nilton Bonder, autor da Cabala da Inveja.

Zunir Ventura também fez a sua própria pesquisa, enviando um questionário extenso, com perguntas de múltipla escolha e outras descritivas sobre a inveja para 50 psicanalistas, número igual de padres e de pais e mães de santo, por considerá-los profissionais que tem mais informação e familiaridade com a inveja, por estudo e experiência com seus fiéis e clientes. Dos psicanalistas recebeu mais de 50 respostas, que permitiram à sua assessoria tabular dados, confirmando a pesquisa:
92% dizem que a inveja aparece de forma indireta no processo de análise,
39% afirmaram que é independente de classe ( 20% que disseram ser a classe média onde mais se relata). O que o invejoso mais deseja é o fracasso do invejado, com 62 % das respostas;
O ressentimento é o sentimento mais presente nos que invejam (37%) seguido da impotência (29%).
48% das pessoas usa algum tipo de amuleto para se proteger e
46% responderam que a inveja é o pecado que ocupa o 1º lugar entre os clientes;
66% do psicanalistas responderam que a inveja é o pecado mais conhecido dos brasileiros.
O mais é invejado: sucesso (19%) seguido de atributos físicos (10%). Bens materiais (6%) e status sócio-econômico (5%) são mais invejáveis do que valores morais (só 1%)

Finalmente, nos terreiros(centros) de Umbanda e Candomblé, o autor encontrou espaços freqüentados por devotos/fiéis de todas as classes sociais, de qualquer cor, onde além de aconselhamento espiritual , pais e mães de santo fazem trabalhos para “fechar” o corpo. Um dos pedidos mais comuns, ele ouviu, é proteção contra o “olho gordo”, sinônimo popular de inveja.

“Corpo fechado”
Foi dito a ele que a freqüência do pedido e a crença da população na necessidade de proteção contra inveja é ampla, abrangente e geral. Todas as classes, ambos os sexos, todas as idades. Zuenir Ventura escreve o que as Mães de Santo afirmam: quem se sente muito invejado são em geral pessoas invejosas.[Ventura, Zuenir Mal Secreto, 1998 – O autor generosamente cedeu os dados para este livro, tanto desta pesquisa do IBOPE quanto da que ele mesmo fez:] Esse escritor imortal, membro da Academia Brasileira de Letras, registrou com grandeza, elegância e leveza bem carioca nosso Mal Secreto, o pecado brasileiro.

Uma outra pesquisa, exclusivamente para estudo acadêmico, foi feita com estudantes do Brasil e Estados Unidos para testar a eficácia do questionário DES – Dispositional Envy Scale , ou Escala de Disposição para Inveja – que foi aprovado e considerado eficaz. O estudo também comprovou a relação negativa entre o quociente de DES e satisfação, vitalidade e felicidade. Quanto mais alto o DES, menor a alegria e felicidade (sabemos que inveja diminui a capacidade de pensar e agir, a potência do indivíduo, sua auto preservação, e que quanto mais alto o DES, maior o ataque a si mesmo). O teste, muito simples e eficaz, consiste em oito questões, que a pessoa responde numa escala de 1 a 5 em que 1 é discordo fortemente e 5 é concordo fortemente. As perguntas do teste são [http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_serial&pid=2011-2084&lng=pt&nrm=iso]:

– Eu sinto inveja todo dia
– A amarga verdade é que eu geralmente me sinto inferior aos outros
– Sentimentos de inveja constantemente me incomodam
– É tão frustraste ver algumas pessoas terem sucesso tão facilmente
– Não importa o que eu faço, inveja sempre me aflige
– Eu sou perturbado com sentimentos de inadequação
– De algum modo, não é justo que algumas pessoas pareçam ter todo o talento
– Francamente me ressinto do sucesso de meus vizinhos

Fica o convite ao leitor para responder as perguntas, em que as respostas mais próximas 1 discordam da sentença, e as próximas ou iguais a 5 são as que confirmam as afirmações. Fortemente. Fica também o alerta que todos os seres humanos tem inveja, o objetivo do teste é identificar o NÍVEL de inveja. Se perceber seu nível alto, com fortes concordâncias, seu sentimento de felicidade está baixo. Leia os últimos capítulos com atenção.

***

Dia do lançamento: 15/04/2019, no restaurante La Fiorentina, Leme/Rio de Janeiro – meus agradecimentos à minha família e a todos os amigos, antigos e novos,  que me honraram com sua presença!

Zuenir Ventura, imortal da ABL e escritor que doou sua própria pesquisa para compor este livro

Professor Marcos Gleizer; amigos astrônomos Sérgio e Marcos, ; Rachel e Sandra, escritoras; José Maria, astrólogo

Professora Sílvia Carvão, escritora Luize Valente, Mestra e Doutora Sofia Dèbora, terapeuta Marcos Bastos

2a. “crítica” e minha favorita, a avaliação do Sr. Edivaldo Fernandes e sua permissão para publicação :
Excelente obra da Mestre Noemi Gomes do Rego Coelho.”O PAIS DOS BEM-TE-VIS” e um passaporte para quem pretende conhecer a essencia de nossa gente brasileira a partir de geracoes de nossos antepassados.De forma didatica e assertiva a insigne autora aborda questoes contemporaneas que ainda constam como mal resolvidas.Parabens pela qualidade da obra.Fraternal e forte abraço.Saude,felicidade,sorte e sucesso sempre.Paz e luz.
👍Autorizado.Desejo muito sucesso.Se ela quiser pode divulgar no face da Associaçao dos Economiarios Aposentados do DF-AEADF .

Um dos meus trechos favoritos:

O país dos bem-te-vis, página 18:   Entre nós a morte não é lembrada, não tem sentido maior. Então a vida também não tem. Se a morte não dá sentido à vida, nada dará. A vida aqui não comporta a verdadeira tragédia. Se a morte não aconteceu, se não há morte trágica, nenhum outro acontecimento conseguirá realmente produzir sentido. (José Gil)

Os temas da primeira página do sumário (toda a Parte 4, a Resposta, está na página seguinte):

Mais um pequeno trecho:

A escravidão foi a base a partir da qual se fundou uma civilização (…) assim se formalizou um projeto excludente, em que o objetivo das elites é manter a diferença com relação ao restante da população. O tráfico foi o maior negócio de importação brasileiro até 1859. Comprar pessoas para estabelecer diferenças foi o empreendimento deste país (FLORENTINO apud ROCHA, 2015) página 23

Na vitrine! À direita e embaixo, mas na vitrine da livraria Galileu, Rio de Janeiro!

Primeira avaliação:
João, boa tarde. Já posso dizer algumas coisas? Comecei o livro identificando questões sociais com as quais não me dou muito bem. Me pareceu umv livro técnico e objetivo e eu sou essencialmente sensível e subjetiva. Mas não desisti dele, segui em frente. E ainda bem que não desisti. A partir do momento em que os dados sociológicos diminuíram e a autora começou a abordar o sentimento da inveja como algo subjetivo, intrínseco ao ser humano, eu ganhei asas para voar nessas páginas. Estou me reconhecendo como um ser invejoso e dessa forma, reconhecendo a minha humanidade. Vil ou não, a inveja faz parte da nossa paralisação – no esforço para nivelar todo mundo por baixo- e da nossa ascensão. Ainda estou no princípio, mas já fui seduzida pelo tema. Como é real! Por enquanto eh isso. Irei dando notícias. 🙏🙏
o convite para o lançamento do livro: