escrita: O país dos bem-te-vis

Apresentando o livro  O país dos bem-te-vis, ensaio sobre a inveja na cultura brasileira:

Alex Campos, colunista da JBFM divulgando o livro no rádio e no seu blog, sensacional!

No Brasil, o passado é sempre esquecido, e o futuro nunca chega. Uma escolha da inveja…

No Brasil, o passado é sempre esquecido, e o futuro nunca chega. Uma escolha da inveja…

“No Brasil, o passado é sempre esquecido, e o futuro nunca chega. Daí que gerações e gerações começam e recomeçam do zero. Não receber o conhecimento das gerações anteriores é uma escolha da inveja. ”

Esse é um belo trecho do livro “O País dos bem-te-vis“, da escritora Noemi Gomes do Rêgo Coelho, lançado ontem no Rio.

Trata-se de um ensaio sobre a inveja no conjunto dos hábitos e costumes dos brasileiros. Ou seja, trata-se de nossas raízes, tradições e histórias nacionais.

O livro aponta o extenso alcance da inveja no Brasil contemporâneo, cabendo como uma luva no atual momento político em que vivemos. Ele traz definições nuas e cruas sobre a inveja e suas características, como o ódio, a ma-fé, a maledicência e a intolerância sempre disposta a destruir o que é diferente.

“O País dos bem-te-vis” propõe reflexões e provocações interessantes que relacionam a inveja ao medo, ao conformismo, à inversão de valores e à negação das nossas próprias responsabilidades.

Por falar em “nossas responsabilidades”, taí uma dica pra todo mundo que lamenta a situação de penúria das livrarias Saraiva, Cultura e outras tantas. Sim porque, se todo mundo que eu vejo lamentar o fechamento de uma livraria tivesse comprado um livro, nem a Saraiva e nem a Cultura estariam em dificuldades.

Daí que “O País dos bem-te-vis”, da Letra Capital Editora, oferece uma chance pra quem quiser se redimir.

Ele foi escrito pela Noemi Coelho… Mas bem que poderia ter sido escrito por mim. Sem nenhuma inveja, claro!

                                   À venda em:

Livraria da Travessa,    Livraria Galileu,     Livraria Blooks,     Livraria Copabooks, e  outras…

amazon.com.br ;   letracapital.com.br;   Google Play

Release do livro
O País dos Bem-te-vis é  um ensaio sobre a inveja no conjunto dos hábitos sociais brasileiros. Dividido em 4 partes, a primeira trata das raízes, a formação histórica, a gênese das tradições e valores nacionais. A segunda parte aborda, de uma forma profunda, o que é a inveja, e a afirma como característica humana universal. A terceira parte aponta a extensa ação da inveja na cultura do Brasil contemporâneo. A última parte  descreve as soluções e saídas que o país encontra.

Prefácio de Sofia Débora Levy

O livro inicia fazendo uma interessante análise da história do comportamento invejoso entre nós, desde  a insensibilidade do extermínio dos índios, a escravidão e o sadismo da família patriarcal escravocrata,  ressaltando a contribuição definitiva da Santa Inquisição e da excessiva religiosidade portuguesa na desvalorização da morte trágica.

A incrível, inacreditável realidade da escravidão:  https://www.slavevoyages.org/

A inveja inicial, inveja do seio:  melanie-klein-inveja-e-gratidao-e-outros-trabalhos

Traz luz a essa questão pouco observada na formação do país,  a atuação intensa e forte da Santa Inquisição em Portugal e no Brasil, a perseguição, as mortes, as denúncias por interesse, a inversão de valores espirituais, as propinas e privilégios, a corrupção, atitudes e situações impressas permanentemente na alma nacional desde então. Esclarece a emotividade, capaz de inveja e ódio, como qualidade brasileira, e a identificação projetiva, um traço que permite ver com facilidade o que o outro quer para então utilizar no próprio interesse. O término  é feito com a pesquisa IBOPE  sobre os números da inveja na nossa sociedade.

 Dra. Anita Novinsky, Doutora Emérita da USP em Inquisição no Brasil

A segunda parte estuda a origem e identidade do sentimento: a inveja do seio na formação de todo ser humano, o Édipo na família, as onipresentes invejas do pênis e do útero,  inveja nos mitos e nas religiões. Verifica que o ser humano pode escolher o pior mesmo sabendo o que é o melhor para si, um agir nosso amplo e geral, sem qualquer polimento.

A servidão – vejo o melhor, sei o que é melhor, mas escolho o pior:    Acrasia (3)

Expõe como a inveja paralisa o tempo: no mundo do invejoso  só o presente tem importância.   Individualmente e  para a nossa sociedade o futuro não existe, nem o passado, vive-se num eterno presente repetindo  incessantemente dos mesmos erros.

Idolatria

A terceira parte  especifica a  inveja na manifestação cultural brasileira nos dias de hoje: a maledicência, mentira, a negação da responsabilidade tão comum nas nossas ações, individuais, sociais e institucionais, esclarecendo com exemplos o conformismo e o medo, o terror que permeia tudo em toda parte. Analisa a autoinveja, a inveja de si mesmo, individual e  do conjunto da sociedade,  seus inúmeros componentes entre si e com o Estado. A pressão invejosa marca toda criatividade para destruí-la. A agressão para excluir a diferença que produz alteração no nivelamento cotidiano, aliada à falta de consciência e racionalidade, permite a banalização  da violência em todos os níveis. A repressão, unida à falta de valor, conduz a homens limitados e grosseiros.

Recusar a bondade  impede o aprendizado com a experiência, a transmissão do saber para as gerações seguintes, razão pela qual cada geração aqui começa do zero: a incrível negligência brasileira com a educação e o raciocínio, desde a época colonial.

ARISTOTELES._Retorica_das_Paixoes

Na última parte, o mais esperado, as soluções. A necessidade humana de curar-se e como fazer reparações é libertador pra todos os envolvidos, incluindo os já mortos. A gratidão, força natural, universal e contrária à inveja, para a qual o Brasil é pleno de razões. A reverência ao sagrado,  o perdão, a espiritualidade que é força motriz de comportamentos, uma das maiores carências nacionais a ser preenchida com urgência.  Nossa espiritualidade deriva da Santa Inquisição, então modificá-la transforma toda a nossa cultura. Apresenta a admiração, que é a capacidade de semelhança, de participação nas virtudes do admirado como a cura, a resposta. Reverência e admiração implicam em compreensão do que é melhor e a participação consciente nesse melhor reconhecido e admirado. Termina ressaltando a capacidade brasileira para a alegria, para a festa coletiva onde não há inveja mas união do e no conjunto, onde o povo alcança uma perfeição, uma saúde única.

Roda de conversa sobre a inveja na cultura brasileira 15/06/19 em Santa Tereza/RJ

INVEJA – O Pecado Brasileiro

Mal Secreto, livro do escritor Zuenir Ventura sobre a inveja, relata a pesquisa do IBOPE- Instituto Brasileiro de Pesquisa, da opinião pública brasileira sobre a inveja. Zuenir conta de forma brilhante e encantadora esse processo, como o das entrevistas da sua pesquisa pessoal, oferece relatos de histórias humanas incríveis, viu e participou de fatos peculiares interessantíssimos – jornalista que é. Feita de 17 a 22 setembro de 1997, exclusiva para o autor, desnuda a realidade da inveja no Brasil – o pecado brasileiro, como pode-se comprovar:

“Pesquisa de opinião pública sobre os 7 pecados capitais’
Total – 2000 entrevistas
Universo pesquisado: população do Norte, Nordeste, Centro Oeste, Sudeste e Sul, capitais e interior,
Municípios de até 20 mil habitantes, de 20 a 100 mil, e de mais de 100 mil habitantes.
Grupos de idades de 16 a 24 anos, de 25 a 34anos, de 35 a 44 anos, de 45 a 54 anos e 55 ou mais.
Classificação econômica: Classe A1 e A2, Classe B1 e B2, classe C e classe D/E

Para perguntas espontâneas, “quais são os 7 pecados capitais”, mais de 80% não conheciam ou não souberam nenhum.(!)
Quando os pesquisadores mostraram as cartelas com os 7 pecados capitais e perguntaram “quais deles conhece ou lembra?”
73% reconheceram inveja. A preguiça 59%, a ira 48%, a gula 45%, a luxúria 39%, a soberba 37% e a avareza 30%.
Com que freqüência praticavam , se é que praticavam, cada pecado, com as opções: freqüentemente/de vez em quando/raramente/nunca
83% nunca cometeram pecado da inveja,;1% freqüentemente;7% de vez em quando;7%raramente
Os aspectos que causam inveja:
34% sucesso (pessoal ou profissional); 25% bens materiais (casa, carro); 24% valores morais (honestidade, coragem, integridade); 22% atributos físicos (beleza, simpatia);19% status sócio econômico (classe, situação financeira); 14% fama; 13% poder.
Percebiam ou não que alguém sentia inveja dele/dela: 65% sim e 35% não
Entre pessoas com grau de instrução superior, a percepção chegava a 75%
58% dos que recebem até 2 salários mínimos percebem e 60% membros da classe D/E percebem
O que você faz contra mau olhado: 54% nada; 38% rezar, fazer orações.
A inveja é o pecado mais conhecido em todos os níveis e classes sociais, em todos os níveis de instrução, em todas as idades, todos os lugares e por ambos os sexos. Está expressa na pesquisa exclusiva mais abrangente e completa já realizada. É O PECADO BRASILEIRO[Ventura, Z, Mal Secreto, 1998] .

Zuenir Ventura, que generosamente cedeu o material da sua pesquisa, aqui ao lado do Rabino Nilton Bonder, autor da Cabala da Inveja.

Zunir Ventura também fez a sua própria pesquisa, enviando um questionário extenso, com perguntas de múltipla escolha e outras descritivas sobre a inveja para 50 psicanalistas, número igual de padres e de pais e mães de santo, por considerá-los profissionais que tem mais informação e familiaridade com a inveja, por estudo e experiência com seus fiéis e clientes. Dos psicanalistas recebeu mais de 50 respostas, que permitiram à sua assessoria tabular dados, confirmando a pesquisa:
92% dizem que a inveja aparece de forma indireta no processo de análise,
39% afirmaram que é independente de classe ( 20% que disseram ser a classe média onde mais se relata). O que o invejoso mais deseja é o fracasso do invejado, com 62 % das respostas;
O ressentimento é o sentimento mais presente nos que invejam (37%) seguido da impotência (29%).
48% das pessoas usa algum tipo de amuleto para se proteger e
46% responderam que a inveja é o pecado que ocupa o 1º lugar entre os clientes;
66% do psicanalistas responderam que a inveja é o pecado mais conhecido dos brasileiros.
O mais é invejado: sucesso (19%) seguido de atributos físicos (10%). Bens materiais (6%) e status sócio-econômico (5%) são mais invejáveis do que valores morais (só 1%)

Finalmente, nos terreiros(centros) de Umbanda e Candomblé, o autor encontrou espaços freqüentados por devotos/fiéis de todas as classes sociais, de qualquer cor, onde além de aconselhamento espiritual , pais e mães de santo fazem trabalhos para “fechar” o corpo. Um dos pedidos mais comuns, ele ouviu, é proteção contra o “olho gordo”, sinônimo popular de inveja.

“Corpo fechado”
Foi dito a ele que a freqüência do pedido e a crença da população na necessidade de proteção contra inveja é ampla, abrangente e geral. Todas as classes, ambos os sexos, todas as idades. Zuenir Ventura escreve o que as Mães de Santo afirmam: quem se sente muito invejado são em geral pessoas invejosas.[Ventura, Zuenir Mal Secreto, 1998 – O autor generosamente cedeu os dados para este livro, tanto desta pesquisa do IBOPE quanto da que ele mesmo fez:] Esse escritor imortal, membro da Academia Brasileira de Letras, registrou com grandeza, elegância e leveza bem carioca nosso Mal Secreto, o pecado brasileiro.

Uma outra pesquisa, exclusivamente para estudo acadêmico, foi feita com estudantes do Brasil e Estados Unidos para testar a eficácia do questionário DES – Dispositional Envy Scale , ou Escala de Disposição para Inveja – que foi aprovado e considerado eficaz. O estudo também comprovou a relação negativa entre o quociente de DES e satisfação, vitalidade e felicidade. Quanto mais alto o DES, menor a alegria e felicidade (sabemos que inveja diminui a capacidade de pensar e agir, a potência do indivíduo, sua auto preservação, e que quanto mais alto o DES, maior o ataque a si mesmo). O teste, muito simples e eficaz, consiste em oito questões, que a pessoa responde numa escala de 1 a 5 em que 1 é discordo fortemente e 5 é concordo fortemente. As perguntas do teste são [http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_serial&pid=2011-2084&lng=pt&nrm=iso]:

– Eu sinto inveja todo dia
– A amarga verdade é que eu geralmente me sinto inferior aos outros
– Sentimentos de inveja constantemente me incomodam
– É tão frustraste ver algumas pessoas terem sucesso tão facilmente
– Não importa o que eu faço, inveja sempre me aflige
– Eu sou perturbado com sentimentos de inadequação
– De algum modo, não é justo que algumas pessoas pareçam ter todo o talento
– Francamente me ressinto do sucesso de meus vizinhos

Fica o convite ao leitor para responder as perguntas, em que as respostas mais próximas 1 discordam da sentença, e as próximas ou iguais a 5 são as que confirmam as afirmações. Fortemente. Fica também o alerta que todos os seres humanos tem inveja, o objetivo do teste é identificar o NÍVEL de inveja. Se perceber seu nível alto, com fortes concordâncias, seu sentimento de felicidade está baixo. Leia os últimos capítulos com atenção.

 

Dia do lançamento: 15/04/2019, no restaurante La Fiorentina, Leme/Rio de Janeiro – meus agradecimentos à minha família e a todos os amigos, antigos e novos,  que me honraram com sua presença!

Zuenir Ventura, imortal da ABL e escritor que doou sua própria pesquisa para compor este livro

Professor Marcos Gleizer; amigos astrônomos Sérgio e Marcos, ; Rachel e Sandra, escritoras; José Maria, astrólogo

Professora Sílvia Carvão, escritora Luize Valente, Mestra e Doutora Sofia Dèbora, terapeuta Marcos Bastos

2a. “crítica” e minha favorita, a avaliação do Sr. Edivaldo Fernandes e sua permissão para publicação :
Excelente obra da Mestre Noemi Gomes do Rego Coelho.”O PAIS DOS BEM-TE-VIS” e um passaporte para quem pretende conhecer a essencia de nossa gente brasileira a partir de geracoes de nossos antepassados.De forma didatica e assertiva a insigne autora aborda questoes contemporaneas que ainda constam como mal resolvidas.Parabens pela qualidade da obra.Fraternal e forte abraço.Saude,felicidade,sorte e sucesso sempre.Paz e luz.
👍Autorizado.Desejo muito sucesso.Se ela quiser pode divulgar no face da Associaçao dos Economiarios Aposentados do DF-AEADF .

Um dos meus trechos favoritos:

O país dos bem-te-vis, página 18:   Entre nós a morte não é lembrada, não tem sentido maior. Então a vida também não tem. Se a morte não dá sentido à vida, nada dará. A vida aqui não comporta a verdadeira tragédia. Se a morte não aconteceu, se não há morte trágica, nenhum outro acontecimento conseguirá realmente produzir sentido. (José Gil)

Os temas da primeira página do sumário (toda a Parte 4, a Resposta, está na página seguinte):

Mais um pequeno trecho:

A escravidão foi a base a partir da qual se fundou uma civilização (…) assim se formalizou um projeto excludente, em que o objetivo das elites é manter a diferença com relação ao restante da população. O tráfico foi o maior negócio de importação brasileiro até 1859. Comprar pessoas para estabelecer diferenças foi o empreendimento deste país (FLORENTINO apud ROCHA, 2015) página 23

Na vitrine! À direita e embaixo, mas na vitrine da livraria Galileu, Rio de Janeiro!

Primeira avaliação.
João, boa tarde. Já posso dizer algumas coisas? Comecei o livro identificando questões sociais com as quais não me dou muito bem. Me pareceu umv livro técnico e objetivo e eu sou essencialmente sensível e subjetiva. Mas não desisti dele, segui em frente. E ainda bem que não desisti. A partir do momento em que os dados sociológicos diminuíram e a autora começou a abordar o sentimento da inveja como algo subjetivo, intrínseco ao ser humano, eu ganhei asas para voar nessas páginas. Estou me reconhecendo como um ser invejoso e dessa forma, reconhecendo a minha humanidade. Vil ou não, a inveja faz parte da nossa paralisação – no esforço para nivelar todo mundo por baixo- e da nossa ascensão. Ainda estou no princípio, mas já fui seduzida pelo tema. Como é real! Por enquanto eh isso. Irei dando notícias. 🙏🙏
Bom, estou encerrando a leitura. Muito obrigada pelo panorama que descortinei no âmbito espiritual principalmente, cuja abrangência permeia a minha vida. Hoje meu texto no Face falou sobre a inveja, do jeito que gosto de fazer: aplicando no contexto pessoal de forma que todos nós possamos nos ver como somos. Agradeço muito o presente. Gostaria de solicitar que o departamento da sua editora entrasse em contato comigo para eventual trabalho em comum. Estou no meio de uma obra direcionada a um público alvo seleto e resumido. Não será um livro para todos e por isso preciso de tiragens sob demanda.  Enfim. Eh isso. Muito obrigada.

o convite para o lançamento do livro:

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