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O PAÍS DOS BEM-TE-VIS:

ENSAIO SOBRE A INVEJA NA CULTURA BRASILEIRA

Autora: NOEMI GOMES DO RÊGO COELHO

ISBN: 978-85-7785-644-2

Formato: 15,5x23cm  –  192 páginas  –  Peso: 300g

Preço de capa: R$ 40,00

 

 

O país dos bem-te-vis – é um ensaio sobre a inveja no conjunto dos hábitos sociais brasileiros. Trata das raízes, a formação histórica, a gênese das tradições e valores nacionais e identifica a inveja como característica humana universal. Aponta a extensa ação da inveja na cultura do Brasil contemporâneo, e descreve as soluções e saídas possíveis.

É uma análise interessante da história do comportamento invejoso entre nós, desde a insensibilidade do extermínio dos índios, a escravidão e o sadismo da família patriarcal escravocrata, ressaltando a contribuição definitiva da Santa Inquisição e da excessiva religiosidade portuguesa na desvalorização da morte trágica. A formação do país foi marcada pela atuação intensa da Inquisição em Portugal e no Brasil, a perseguição, as mortes, as denúncias por interesse, a inversão de valores espirituais, as propinas e privilégios, a corrupção, atitudes e situações impressas permanentemente na alma nacional desde então. Esclarece a emotividade, capaz de inveja e ódio, como qualidade brasileira, e a identificação projetiva. Ao final apresenta a pesquisa IBOPE sobre os números da inveja na nossa sociedade.

O país dos bem-te-vis estuda a origem e identidade do sentimento: a inveja do seio na formação de todo ser humano, o Édipo na família, as onipresentes invejas do pênis e do útero, inveja nos mitos e nas religiões. Verifica que o ser humano pode escolher o pior mesmo sabendo o que é o melhor para si, e expõe como a inveja paralisa o tempo: no mundo do invejoso só o presente tem importância.  Ou seja, individualmente e para a nossa sociedade, o futuro não existe, nem o passado, vive-se num eterno presente repetindo-se incessantemente os mesmos erros.

Também aborda a inveja na manifestação cultural brasileira nos dias de hoje: a maledicência, a mentira, a negação da responsabilidade – tão comum nas nossas ações, individuais, sociais e institucionais. Analisa a autoinveja, a inveja de si mesmo, individual e do conjunto da sociedade, seus inúmeros componentes entre si e com o Estado. A pressão invejosa marca toda criatividade para destruí-la e permite a banalização da violência em todos os níveis. A repressão, unida à falta de valor, conduz a indivíduos limitados e grosseiros.

Recusar a bondade impede o aprendizado com a experiência, a transmissão do saber para as gerações seguintes, razão pela qual cada geração aqui começa do zero: a incrível negligência brasileira para com a educação e o raciocínio, desde a época colonial.

Para concluir, a autora apresenta soluções: a necessidade humana de curar-se e fazer reparações é libertador para todos os envolvidos. A gratidão – força natural, universal e contrária à inveja – a reverência ao sagrado, o perdão, a espiritualidade, uma das maiores carências nacionais a ser preenchida com urgência. Reverência e admiração implicam em compreensão do que é melhor e a participação consciente nisso, ressaltando a capacidade brasileira para a alegria, para a festa coletiva onde não há inveja, mas união do e no conjunto, onde o povo alcança perfeição, um traço efetivo de saúde mental e moral.

João Baptista Pinto – Editor

Cel. 99359-9689

 

 

 

Apresentação do livro O país dos bem-te-vis

O País dos Bem-te-vis é um livro de não-ficção, um ensaio sobre a inveja no conjunto dos hábitos sociais brasileiros. Dividido em 4 partes, a primeira trata das raízes, a formação histórica, a gênese das tradições e valores. A segunda parte aborda o que é a inveja de uma forma profunda, e afirma a característica humana universal. A terceira parte aponta a extensa ação da inveja no agir do Brasil contemporâneo. A última parte  é a que descreve as soluções e saídas que a nação encontra.

O livro inicia fazendo uma interessante análise da história do comportamento invejoso nacional, desde  a insensibilidade do extermínio dos índios, a escravidão e o sadismo da família patriarcal escravocrata,  ressaltando a contribuição definitiva da Santa Inquisição e da excessiva religiosidade portuguesa.

Traz à luz uma questão pouco valorizada na formação do país,  a atuação extensa e forte da Inquisição em Portugal e no Brasil, a perseguição, as mortes, as denúncias por interesse, a inversão de valores espirituais, as propinas e privilégios, a corrupção desde os primeiros séculos. Esclarece a emotividade passional como qualidade brasileira, e também a identificação projetiva, um traço que permite ver com facilidade o que o outro quer para então utilizar no próprio interesse. O término dessa primeira parte é feito com a pesquisa IBOPE  sobre os números da inveja na sociedade.

Na segunda parte há um aprofundamento na origem do sentimento: a inveja do seio, do Édipo na família, as onipresentes invejas do pênis e do útero,  os mitos, religiões e contos de fadas. Expõe como paralisa o tempo, onde só o presente tem importância, individualmente e  na sociedade de consumo em que o futuro não existe. Verifica que o ser humano pode escolher o pior mesmo sabendo o que é o melhor para si, e que essas condições universais elencadas surgem sem polimento no comportamento  brasileiro.

A terceira parte é específica na ação da inveja na manifestação nacional dos dias de hoje: a maledicência, mentira, a negação da responsabilidade tão comum nas atitudes no país, esclarecendo com exemplos as ações de conformismo e medo, o terror que permeia tudo em toda parte. Torna clara a questão da autoinveja, a inveja de si mesmo, individual e  do conjunto da sociedade com ela própria e o Estado. Aqui a repressão da diferença, marcando toda criatividade para destruí-la, aliada à falta de consciência e racionalidade imposta pela Inquisição, permite a banalização  da violência, a repetição  incessantemente dos mesmos erros.

Recusar a bondade  impede o aprendizado com a experiência, a transmissão do saber para as gerações seguintes, razão pela qual cada geração aqui começa do zero: a incrível negligência brasileira com a educação e o raciocínio, desde a época colonial.

Na última parte, o mais esperado, a propositura de soluções. A terapia, a necessidade humana de curar-se e como fazer reparações de fato é libertador pra todos os envolvidos, até mesmo os já mortos. A gratidão, o oposto da inveja que o bebê vivencia no seio, é universal, uma força natural no sentido contrário da inveja, para a qual o Brasil é pleno de razões. A reverência ao sagrado,  o perdão, a espiritualidade, uma das maiores carências nacionais a ser preenchida com urgência. A espiritualidade é força motriz de comportamentos sempre no oriente e no ocidente, ao longo das civilizações. A espiritualidade brasileira vem da Inquisição,  e uma espiritualidade diferente leva a uma cultura  também diferente. Comprova que a admiração, que é a capacidade de semelhança, de participação nas virtudes do admirado é a cura, a resposta. Reverência e admiração implicam em consciência do melhor e da participação consciente do sujeito, indivíduo, time, comunidade, nação, nesse melhor admirado. Termina ressaltando a capacidade brasileira para a alegria, para a festa coletiva onde não há inveja mas união do e no conjunto para a alegria, onde o povo alcança uma perfeição, uma saúde única.